Tratamento não sai como esperado – Sucesso de procedimento depende de como expectativas do paciente e médico são alinhadas

Recentemente, a cantora Anita foi foco de diversos comentários nas redes sociais e na mídia decorrente do resultado de um preenchimento labial que a cantora assegurou fazer há muito tempo e ser fã dos resultados.

Esta não é a primeira vez que acontece este tipo de polêmica em torno de procedimentos dermatológicos. Como comentei na coluna da semana passada, o sucesso de um tratamento depende de ter total conhecimento das necessidades e expectativas tanto do paciente, quanto do médico.

No caso do preenchimento, é necessário também ter muito conhecimento sobre os diferentes tipos de técnicas existentes para o procedimento e saber escolher qual vai dar melhor resultado naquele paciente. Não existe uma fórmula pronta para todas as pessoas.

É um trabalho de artista. Quando estamos trabalhando com o preenchedor, estamos moldando os lábios e partes do rosto do paciente. É o tipo de tratamento que depende quase que  exclusivamente da experiência do médico, o produto de boa qualidade assegura apenas que não haja efeitos colaterais.

Entre os diferentes tipos de uso do preenchedor, o que causa maior polêmica é o que aumenta o volume dos lábios, pois caso o material fique entre a mucosa da boca e a pele (aplicação superficial), o resultado é a famosa boca de pato.

A solução irá depender mais uma vez da expectativa do paciente. Caso o médico tenha usado um preenchedor definitivo, ele terá de passar por uma cirurgia bem delicada e com resultados variados.

O metacrilato de metila é a substância empregada nos preenchimentos definitivos. Embora seja bastante contestado seu uso, devido ao grande número de casos inestéticos e de difícil resolução, ele é comumente usado por profissionais de outras áreas, com a justificativa de ser mais barato e definitivo.

Se o material empregado tiver sido o ácido hialurônico, uma substância que já existe naturalmente no organismo e que se adapta perfeitamente à pele do paciente quando produzida em laboratório, ele pode ser orientado a seguir o que chamamos de conduta expectante. Isso nada mais é  que aguardar o tempo necessário para o organismo absorver o produto, geralmente entre 12 e 18 meses.

Nos casos de assimetria labial, o problema pode ser corrigido com uma nova aplicação no lado que ficou desnivelado. Se esta possibilidade for inviável, é possível tentar uma diluição do ácido hialurônico, usando uma enzima chamada hialuronidase, com risco de diferentes tipos de efeitos colaterais. A cirurgia é a última possibilidade e é pouquíssimo recomendada.

Apesar de depender de fatores variáveis, o preenchimento é um tratamento totalmente seguro, contanto que seja realizado por um profissional com bastante conhecimento da anatomia do rosto e tenha experiência suficiente para evitar que problemas como a necrose da pele e até mesmo uma cegueira ocorram.

A habilidade do médico juntamente com o uso do ácido hialurônico trazem excelentes resultados, tanto quanto o objetivo é atenuar as linhas de expressão e rugas, quanto no caso dos lábios, que pode ser usado para realçar o contorno perdido ao longo dos anos ou para dar volume.

Olheiras

Outro uso bastante efetivo é no caso das olheiras. Nas olheiras falsas, aquelas que deixam a pessoa com um olhar fundo, o preenchimento entra para rechear o espaço próximo à pálpebra inferior (sulco lacrimal), que aumenta com a idade ou que simplesmente faz parte da anatomia do paciente.

Recentemente, o preenchimento vem sendo usado também para rejuvenescer as mãos. De duas maneiras distintas: caso o objetivo seja um efeito imediato, a recomendação é que se faça uso do ácido hialurônico. Já se o objetivo for um tratamento a longo prazo, é possível usar substâncias bio-estimuladores para aumentar o colágeno da área ao longo do tempo.

O ácido hialurônico também pode ser usado para transformar o formato dos lábios, mas eu não recomendo. A minha experiência mostra que quanto mais se busca modificar o formato natural dos lábios do paciente, maior o risco de um resultado pouco estético.

O ideal é explorar os usos já estudados e comprovados do procedimento que são: valorização do contorno dos lábios, inversão dos lábios. Ou seja, pegar aquele lábio que quase não se vê a parte vermelha e preencher para aparecer mais o vermelho, aumento do volume, respeitando as proporções de cada lábio, inferior com o dobro de volume em relação ao superior.

Para as pessoas que gostam do resultado, o procedimento pode ser repetido anualmente para não que o resultado final não seja perdido.

Importante! Até o momento não há trabalhos científicos publicados mundialmente que justifiquem o uso do laser no lugar do preenchedor. A comunidade médica mundial conclui que as pesquisas realizadas até o momento são renato insuficientes.

 Fonte: Dr. Renato Lima – Ferolla Médicos Associados
 CRM: 129410