É importante distinguir o que é um procedimento da moda de um com bons benefícios

Recentemente, um jornal de grande repercussão publicou uma matéria explicando um procedimento dermatológico, que vem ganhando adeptos nos últimos dois anos. O tratamento para flacidez cutânea realizado com fios de sustentação de ácido poli-l-láctico.

Na minha opinião, muitos leitores devem ter ficados indecisos com os pontos positivos apresentados pela empresa que produz o fio de sustentação e a opinião dada por um especialista para a matéria. O meu objetivo é auxiliar na distinção entre o que é um tratamento da moda e um tratamento com bons benefícios. É normal nos deparamos com tais divergências de opiniões tanto entre profissionais da área, quanto pacientes e médicos, mas por quê? Em quem acreditar?

Para trazer maior claridade, vou iniciar por uma afirmação: se um tratamento clínico, de baixo risco, consegue ter resultados idênticos a uma cirurgia com o mesmo propósito, não há motivos para alguns médicos insistirem com procedimentos invasivos, já que, além de ser mais custoso, tem mais riscos de complicações.

Com isso, se há anos se usam fios para dar sustentação à pele e ainda se pratica a cirurgia de lifting (realizada por cirurgião plástico), então não vamos nos enganar, uma técnica não substitui a outra, da mesma forma que os tratamentos não invasivos para quebrar gordura (criolipólise, laserlipo, ultrassom e outros) não substituem a lipoaspiração em centro cirúrgico.

O mais importante aqui é saber escolher o tratamento certo para cada perfil de paciente. Da mesma forma que existem pacientes que necessitam de uma cirurgia para rejuvenescer, existe outro grupo que não precisa se submeter ao procedimento para ter o resultado esperado, momento adequado para o dermatologista realizar seu trabalho.

Com essa definição em mãos, é hora de refletir sobre um segundo ponto: a ansiedade e a expectativa do paciente, que muitas vezes se difere da real necessidade.

Alguns pacientes, por desconhecerem o processo de envelhecimento, e por receio aos procedimentos invasivos, demoram em procurar ajuda do dermatologista. E chegam ao consultório quando o quadro de envelhecimento já está bastante evoluído (irregularidades na pele, lesões solares, muita flacidez, perda do contorno facial, formação de papo) e que muitas vezes somente uma cirurgia é capaz de solucionar a queixa.

Porém, esse paciente vai ao médico com a fantasia de resolver seu problema com alguma fórmula simples e barata. Se ele não for bem orientado, a chance de se frustar com qualquer outro tratamento não cirúrgico é alta. O resultado vai ser a realização de um tratamento bom, em um paciente totalmente sem indicação o que gera um resultado negativo e depreciativo do tratamento.

O médico também precisa refletir sobre suas expectativas. Na minha visão de médico, posso dizer que, muitas vezes, a perspectiva em relação ao efeito de determinado procedimento pode ser diferente dependendo da sua prática, da sua especialidade e do perfil de paciente que ele costuma tratar.

– Diferentes perspectivas

Para um médico cirurgião plástico, acostumado a realizar cirurgia de lifting em pacientes com flacidez avançada e com resultados mais severos, ele vai tender a rejeitar o tratamento com fios, pois os resultados serão bem mais sutis.

Porém, esse mesmo tratamento visto por um dermatologista, que trabalha buscando intervir precocemente, em pacientes mais jovens, nas alterações do envelhecimento, pode ver nessa técnica uma forma segura e efetiva para evitar ou retardar o processo de envelhecimento.

Você, no papel de paciente, precisa ter uma autorreflexão sobre o que busca, onde estão os seus limites, como você encara o envelhecimento e os seus tratamentos. E precisa conversar bastante com o seu médico para ver se ambos estão com a mesma linha de pensamento. Com isso, a chance de uma insatisfação com este ou qualquer outro tratamento cairá bastante, tanto para o paciente quanto para o próprio médico.

Sobre os fios absorvíveis, não acho que será apenas uma modinha, quando bem indicado e explicado , que a ideia não é substituir a cirurgia, mas postergá-la, conter a flacidez do paciente e fortalecer a pele com nova produção  drenatocolágeno, os resultados podem ser espetaculares.

 Dr. Renato Lima – Ferolla Médicos Associados.
 CRM: 129410