A acne é uma doença dermatológica que atinge as glândulas sebáceas da pele. Essa doença, também conhecida como espinhas e cravos, surge por conta do processo inflamatório dos folículos pilossebáceos e das glândulas sebáceas.

O folículo pilossebáceo, conhecido também como folículo sebáceo, está ligado às glândulas sebáceas presentes na epiderme. O folículo expele o sebo, elemento oleoso que consegue hidratar e ao mesmo tempo proteger a pele. A produção desse sebo em excesso resulta no surgimento da acne.

O grau da acne varia de organismo para organismo, pois seu surgimento pode variar desde cravos que aparecem de maneira isolada até várias espinhas que aparecem no formato de nódulos extremamente dolorosos, que podem cicatrizes para o resto da vida.

Tipos de acne

A acne pode aparecer em 5 graus diferentes:

Grau 1: é a acne não inflamatória, ou comedônica, e a mais simples. Esse grau é bastante comum durante a adolescência. Ela pode ser caracterizada por cravos no nariz, testa e bochechas;

Grau 2: acne pápulo-pustulosa, se caracteriza pelo surgimento das espinhas, cravos, pústulas e pápulas, sendo que esses dois últimos são responsáveis por elevar a pele e deixá-la com pus;

Grau 3: acne nódulo-cística, que são os nódulos internos na pele do rostos, costas e tórax. Esse tipo de espinha é bastante avermelhada, nasce uma próxima a outra e são doloridas;

Grau 4:  acne conglobata, é um conjunto de lesões, também bem próximas e uma grande concentração de pus. Por conta disso, fístulas e abscessos começam a se formar na pele, causando dor e deformações;

Grau 5: acne fulminante, que é o tipo mais grave. Ela surge de maneira repentina e além de dor na articulações, causa febre e mal-estar. Esse grau de acne é mais comum em homens, e surge no rosto, peito ou costas.

Causas da acne

Quando a acne aparece sem muita gravidade no período da adolescência, sua causa é fisiológica. Já na idade adulta, alguns fatores podem potencializar a obstrução das glândulas de gordura da pele, causando assim a acne. Os fatores mais comuns são:

  • cosméticos: maquiagem acumulada na pele aumenta as chances dos poros serem obstruídos, facilitando o aparecimento de cravos ou espinhas. Por essa razão é de extrema importância retirar muito bem toda a maquiagem antes de dormir;
  • alimentação errada: alimentos ricos em gorduras e açúcares, consumo excessivo de produtos lácteos e ricos em carboidratos podem impactar na produção hormonal, estimulando inflamações na pele;
  • predisposição genética: pais que tiveram acne aumentam as chances dos filhos de desenvolverem essa enfermidade;
  • alterações hormonais: durante a adolescência, pode haver uma produção excessiva de sebo, gerando inflamação e obstrução dos poros, aumentando as chances da pele do adolescente ficar acneica. Ainda por conta dos hormônios, mulheres no período pré-menstrual, com síndrome do ovário policístico e durante a gravidez podem desenvolver acne;
  • ansiedade e estresse: momentos estressantes prejudicam o sistema de oxigenação das células da pele;
  • uso de medicamentos: corticoides, andrógenos e medicamentos à base de lítio podem agravar o aparecimento das acnes.

Áreas em que a acne se manifesta

Na maioria das vezes a acne se manifesta no rosto ou ainda no pescoço. Mas dependendo do organismo, outras áreas também podem ser afetadas pelas espinhas ou cravos, como o peito e costas.

Sequelas psicológicas

Muito comum durante a adolescência, a acne também pode aparecer na fase adulta, principalmente em mulheres. As lesões geradas pelas espinhas ou cravos, dependendo do grau, podem marcar não somente a pele, mas também o lado emocional. A pele acneica pode desencadear insegurança, timidez, depressão, infelicidade e mais outros sérios efeitos que podem durar durante toda a vida.

Início dos tratamentos para a acne

Depois da identificação do tipo de acne pelo dermatologista, começam os tratamentos adequados, sempre respeitando o organismo do paciente, para que lesões mais graves não possam surgir e as inflamações possam diminuir ao máximo.

O objetivo dos tratamentos, independente de qual for realizado, visa diminuir a produção de sebo pelas glândulas sebáceas, combater infecções causadas por bactérias, diminuir inflamações e principalmente, estimular a renovação das células.

Principais tratamentos para acne

Os principais tratamentos para acne são:

  • Laser Vbeam (dye laser): é o tratamento mais utilizado para tratar as cicatrizes profundas e avermelhadas. O aparelho emite uma luz que é absorvida pelos vasos sanguíneos da derme. Os vasos coagulam e são absorvidos pelo corpo do paciente de maneira natural;
  • Terapia fotodinâmica: esse método consiste na reação fotoquímica entre um agente fotossensibilizante (ácido amino levulínico (ALA) ou metil amino levulinato (MAL)) e uma fonte de luz. Na forma de loção ou creme, o agente fotossensibilizante é aplicado na pele. A fonte luminosa é uma mistura de luz azul, ou vermelha, laser e luz intensa pulsada. Os agentes fotossensibilizantes presentes no creme penetram nas células dos folículos pilosos, das glândulas sebáceas e principalmente nas bactérias responsáveis pelo surgimento das lesões inflamatórias de acne. As bactérias captam a irradiação luminosa que foi direcionada para região acneica e são destruídas;
  • Radiofrequência microagulhada: as agulhas percorrem a superfície da pele, realizando a emissão dos elétrons. O sistema eletromagnético desse método permite a impulsão das agulhas de forma extremamente rápida;
  • Preenchimento cutâneo: preenchimento pela técnica de microgotas. São injetadas substâncias debaixo das cicatrizes, levantando-as. Esses preenchedores podem ser temporários, como por exemplo o ácido hialurônico, que pode durar por volta de 1 ano, ou então os definitivos, como por exemplo o dimetilsiloxane;
  • Laser Erbium Yag Não Ablativo Fracionado: realiza uma remodelação dérmica, por meio da indução de coagulação seletiva e suave dos tecidos mais profundos, preservando a camada mais superficial da pele. Essa remodelação dérmica promove a produção de colágeno novo;
  • Drug delivery com radiofrequência: microagulhas revestidas a ouro penetram dentro da pele, liberando a radiofrequência que produz altas temperaturas estimulando a produção de novo colágeno e fibras elásticas. Após o microagulhamento o dermatologista aplica uma máscara com vários ativos que conseguem penetrar na pele com mais facilidade, já que os micro canais produzidos pelas agulhas funcionam como se fossem “caminhos” para regiões mais profundas potencializando os efeitos dos ativos.

Definição de tratamento de acordo com o grau da acne

O tratamento é definido de acordo com o grau da acne do paciente. Acnes mais leves, que se manifestam por meio da presença de cravos e espinhas, são tratadas pela combinação de limpeza de pele e peeling.

Em casos onde a manifestação da acne é grave, o tratamento passa a ser realizado por meio de antibióticos, anticoncepcionais – no caso da paciente ser mulher – e lasers, com DYE Laser.

Para acnes que apresentam um grau mais avançado, como as de grau 4 ou 5, o tratamento pode ser realizado por meio de medicamentos com Isotretinoína associado a tratamentos realizados pelo dermatologista, como limpeza de pele, peelings e lasers.  Mas a escolha pelo tratamento adequado, também será determinado pelo dermatologista levando em consideração também a tolerância do paciente.

Atualmente, o uso de probióticos também é utilizado em tratamentos. O dermatologista receita  produtos manipulados, baseado no grau de acne e tipo de pele do paciente. Esse tipo de tratamento é bastante personalizado, o que aumenta as chances de trazer excelentes resultados.

Geralmente, a resposta desse tipo de tratamento, com probióticos, é bastante positiva e costuma eliminar a acne.

Após o surgimento das espinhas, em hipótese alguma o paciente deve “cutucar” ou espremer as lesões, pois esse comportamento pode causar infecção, inflamação ou ainda cicatriz.

Prevenção

A primeira forma para prevenção da acne é realizar uma higienização adequada, utilizando sabonetes e produtos indicados para peles acneicas ou oleosas. Essa limpeza também não pode ser realizada de maneira excessiva, pois pode causar irritações e piorar a aparência das lesões, caso elas já existam. Cosméticos que possam aumentar a oleosidade da pele também devem ser evitados.

Após a exposição ao sol, a pele pode aparentar uma melhora temporária, mas na verdade essa é uma ilusão, pois essa exposição pode na verdade piorar bastante a pele. Assim como quem decide se expor ao sol, a pessoa com pele acneica deve fazer isso de maneira bastante cuidadosa.

Independente do grau da acne, ela pode deixar cicatriz na pele, por essa razão é importante procurar o auxílio do dermatologista para tratá-la o quanto antes. Somente um médico dermatologista credenciado na Sociedade Brasileira de Dermatologia está habilitado a recomendar o tratamento mais adequado para o grau de acne desenvolvido pelo paciente.

Dra. Carolina Ferolla
Dermatologista CRM-SP 91139
RQE Dermatologista: 25722