Em fevereiro deste ano, aconteceu em San Diego (EUA), o Encontro Anual da Academia Americana de Dermatologia. Durante o encontro, foram apresentados novos tratamentos para a alopecia androgenética, popularmente conhecida como calvície. Entre as novidades para tratar os pacientes diagnosticados com alopecia androgenética estão:

  • Melatonina via oral ou tópica: A aplicação tópica da melatonina atua na regulação do ciclo capilar. Ela age durante todo o processo de desenvolvimento dos fios, prolongando as fases anágena (de crescimento) e catágena (de regressão) e mediando os receptores andrógenos e estrógenos, hormônios fundamentais no controle do crescimento capilar. Outra vantagem, é o fato da melatonina atuar como antagonista do hormônio responsável pelo enfraquecimento dos fios, impedindo que eles venham a cair
  • Minoxidil e espironolactona por via oral: A substância sempre foi indicada de forma tópica, mas com baixa penetração nos fios, além de incomodar os pacientes, especialmente as mulheres, devido os fios ficarem secos. O uso oral foi sugerido por um dermatologista, bastante respeitado no meio, que fez uso do Minoxidil 1mg associado a 50mg de espironolactona e obteve resultados bastante satisfatórios.
  • Microagulhamento aliado ao uso do Minoxidil tópico. A técnica que já é conhecida por sua capacidade de provocar estímulos ao crescimento folicular, quando usada juntamente com o Minoxidil, foi capaz de promover 80% de melhora no grupo que fez o uso, contra apenas 40% de melhora no quadro das pessoas que apenas usaram o Minoxidil.
  • Aplicação de plasma rico em plaquetas e fração estromal da gordura

 Mas o que é a alopecia androgenetica?

 Alopecia androgenetica é um dos tipos de queda de cabelo, de origem genética, que se caracteriza pelo afinamento dos fios, até a sua queda definitiva. Esse problema pode afetar homens (80% dos casos) e mulheres (50% dos casos), independentemente da idade, mas com maior chance de aparecimento depois dos 40 anos. Apesar de ter origem nos genes de cada pessoa, alguns fatores podem piorar a doença como: ovário policístico, doenças da tireoide, estresse e a dermatite seborreica.

Fique atento nem todo tipo de queda de cabelo e genética

Ao procurar um dermatologista, é importante que ele identifique o tipo de alopecia, pois além da alopecia androgenética, existem outros tipos confira abaixo:

Alopecia Areata: Afeta homens, mulheres e crianças, pode se desenvolver em qualquer momento da vida. Ela é caracterizada pela perda do cabelo sob a forma de mechas redondas numa ou várias zonas do couro cabeludo ou em outras áreas do corpo, podendo levar a calvície total. As causas não são claras, mas a doença se desenvolve depois que o folículo piloso fica inflamado, sem que posteriormente surja uma cicatrização. Em alguns casos, a perda do cabelo pode verificar-se depois de um evento importante, como uma doença, uma gravidez ou um traumatismo.

É frequente a alopecia areata começar a manifestar-se através de sintomas como uma ou duas áreas de perda de cabelo, muito frequentemente no couro cabeludo. Mas também pode verificar-se na barba, nas sobrancelhas, e nos braços ou pernas.

Apesar de não existir uma causa clara, os tratamentos trazem muito bons resultados, em cerca de 80 % dos casos, o cabelo volta a crescer ao final de um ano.

Alopecia Difusa: Diminuição difusa dos fios, sem chegar a uma calvície total. Afeta tanto homens como mulheres. O cabelo adquire um aspeto fraco e sem vida. As principais causas são: problemas endócrinos, uso de certos medicamentos e desequilíbrio alimentares, especialmente quando há falta ferro, ferritina e zinco. Neste caso, a pele perde elasticidade e pode apresentar seborreia.

ANOTA AÍ:

A queda de cabelo é algo inerente a todo ser humano, pois a vida de um fio passa por três estágios, sendo que um deles inclui a queda:

  • Anágena: fase de crescimento do cabelo, que pode durar de 3 a 5 anos.
  • Catágena: momento em que o fio para de crescer e o folículo capilar começa a regredir. Essa fase dura de 2 a 3 semanas.
  • Telógena: fase que acontece depois do enfraquecimento máximo do folículo capilar, e é anterior a nova fase de crescimento capilar. Dura entre 3 e 4 meses.

Uma quantidade saudável de queda dos fios está entre 50 a 100 fios por dia, acima disso é importante prestar atenção, pois pode não ser mais fisiológico e sim um possível problema.

 

Dra. Carolina Ferolla
Dermatologista CRM-SP 91139
RQE Dermatologista: 25722